Projeto de moda e inclusão completa 10 anos mudando vidas

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Foto: Divulgação

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Um dos momentos mais emocionantes do Celebration Power Life, treinamento de equipes do Instituto Tânia Zambon realizado no Rio Centro no primeiro fim de semana de novembro, foi o desfile do projeto “Vem Inclusão”. Idealizado por Karina Carvalho, ele pretende oferecer arte e moda inclusiva para pessoas com deficiência. Psicóloga e há 25 anos trabalhando no ramo da moda, Karina conta como, hoje, funciona o seu sonho que já completa 10 anos.

“É uma sensação de satisfação e de autorrealização. Eu sou, talvez, a pessoa que mais ganha com isso, emocionalmente falando. Trabalho muito, me dedico muito, porque a gente é muito solicitado. É uma sensação de bem estar e eu sou muito espiritualista, acredito que eu tenha uma missão para cumprir aqui e uma das tarefas é a disseminação do amor, é essa causa”, comenta.

A responsável atribui o sucesso ao trabalho em equipe. Para ela, para trabalhar nesse tipo de projeto, você precisa ter o perfil e, principalmente, amar a causa. Confira a entrevista:

Como nasceu o projeto?
O projeto “Vem Inclusão” é ligado a uma pessoa física, a mim, Karina Carvalho, e ele surgiu há 10 anos através de uma feira de artesanato que nós participamos e lá eu percebi que era possível uma pessoa com deficiência desfilar. Na reunião, eu sugeri, teve resistência, mas enfrentamos o desafio e começou ali. Nosso projeto tem a intenção de resgatar vidas, trabalhando com produção de moda, seja passarela ou vitrine. Tudo começou em Goiás, nessa feira.

Mas você tem alguma ligação com a luta da inclusão anterior à criação do projeto?
Eu já trabalhava há cinco anos em uma associação, eu coordenava o núcleo social dessa instituição. Então, todos os projetos, a área de RH, eram desenvolvidos por nós lá. E um dos eventos da instituição que eu estava nasceu de um trabalho que eu já fazia com todos os tipos de pessoas com deficiência.

Quais as principais atividades do projeto?
Nosso objetivo é realizar um processo de resgate, trabalhar o desenvolvimento profissional e emocional. Muitas vezes, eles conseguem até trabalho nessa área. Então abre esse leque, tanto no âmbito pessoal quanto no profissional.

Você lembra de algum caso que seja interessante contar?
Fizemos um evento recente na minha cidade natal com uma menina que sofreu um acidente e ficou tetraplégica. Ela era modelo antes do acidente e pensou duas vezes antes de aceitar o convite, foi impactante. Ela foi e percebemos uma mudança de expressão, envolvimento da família… Percebemos que havia de fato um resgate emocional.

Hoje você se dedica especialmente ao projeto?
Sou assessora de uma empresa familiar que, inclusive, são as lojas que patrocinam os looks. Há 25 anos, nós temos essas lojas, e isso facilita também em termos de produção. Mas o projeto precisa se estabilizar financeiramente porque existe também um investimento por minha parte quando não conseguimos patrocínios em espécie. A renda do projeto, atualmente, é do bazar social que eu faço e em todo evento nós expomos nossos materiais. Hoje, eu preciso de patrocínios fixos para alavancar e conseguir mais pessoas.

O projeto é muito focado no lado artístico. Como é feita a produção?
Existe uma diferença entre moda inclusiva, peças específicas para pessoas com deficiência, ou dentro do conceitual normal. Eu não trabalho tanto com a peça específica, eu não produzo, trabalho muito com multimarcas, mas fazemos também eventos com estilistas parceiras. No desfile, os acessórios são da loja que presto assessoria.

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Rita de Cássia Costa
Sou uma estudante de jornalismo estereotipada: curiosa por natureza, leitora frenética e apaixonada pelo contato humano. Tenho um interesse todo peculiar por economia, política, moda, cinema e tudo o que me transmite um novo frescor.
Rita de Cássia Costa

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22-11-2016 |

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