Eu, caçador de mim

Harshit Sekhon
Foto: Harshit Sekhon

A depender do seu tempo de existência, é muito possível que tenha sido remetido direto à música do autor Sérgio Magrão e famosa nas vozes de Milton Nascimento e Flávio Venturini – Caçador de Mim. A letra é uma poesia e a música, uma sinfonia que embrulha as palavras de forma sublime.

“…Nada a temer
Senão o correr da luta
Nada a fazer
Senão esquecer o medo
Abrir o peito à força
Numa procura
Fugir às armadilhas da mata escura…”

Trecho da música Caçador de Mim do autor Sérgio Magrão

Pegando o gancho da inspiração musical, trago à memória também a composição de Lulu Santos e Nelson Motta, que diz que a vida vem em ondas como o mar. E, nesse mar que é a vida, há uma correnteza que tende a nos afastar de nós mesmos. É a correnteza que se apresenta diariamente com um turbilhão de afazeres, obrigações e desprazeres. É uma sociedade criadora de paradigmas, de um modelo “ideal” de vida. Essa correnteza vai levando aos poucos os sonhos e desejos de quem não consegue se agarrar a uma boia de autenticidade. Pois esta “societeza” (sociedade + correnteza) busca aquilo que lhe satisfaz. Se em um determinado lugar há necessidades de médicos, ela dirá a você que é a melhor carreira a seguir, pois assim você atenderá as necessidades da sociedade e será mais recompensado financeiramente por isso. Mas ela nunca pergunta o que você quer, quais os seus sonhos, para onde você quer ir.

O normal é se deixar levar pela “societeza”. Dá menos trabalho, é mais suave, menos estressante, e não precisa nem saber nadar ou navegar. Basta apenas saber boiar. E talvez seja esta uma das maiores ameaças da nossa geração, o fato de estarmos boiando a margem de nós mesmos.

Tem gente que é ilha que nunca foi descoberta, espécime rara que nunca apareceu ao mundo, pedra preciosa adornando meio fio de calçada. É preciso empreender busca para descobrir a singularidade da sua existência. É preciso diminuir a caça por coisas e dinheiro, e aumentar o tempo de caça a si mesmo. Não como um caçador que deseja matar a presa, mas pelo simples fato de ter a certeza que a sua caça existe. É contemplar a caça, como o caçador à espreita, admirá-la e sequestrá-la para nunca mais soltar. Afinal, é descobrindo a si mesmo que aprendemos a viver uma vida que só nós podemos viver.

 

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