Querido prof.,

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Não sei se você percebeu, mas as aulas tradicionais nas quais você é o protagonista e é o único detentor do conhecimento – e os alunos ficam passivos, ouvindo e não aprendendo – não servem para nada. O sistema já era falido antes no presencial, agora no digital virou um desastre.

Entrar na era digital não é transferir uma aula chata da sala de aula para o Zoom. Sinto muito informar, mas você não está enganando ninguém. Isso não é ser digital e seus alunos já têm o conhecimento na ponta dos dedos, nas telas touch, nos smartphones, nos tablets.

É você que tem que se adaptar a eles e não o contrário, pois quem está altamente ultrapassado e cheirando a naftalina é você. O mundo andou. E não tem mais volta. Portanto, sua única possibilidade é cair de cabeça no mundo da internet e dos dispositivos tecnológicos.

Eu sei que você é velho e não quer aprender essas coisas. Eu sei que você resiste, pois na sua época era muito melhor e os alunos respeitavam os professores. Agora é outra realidade e você está preparando as crianças e adolescentes para o mundo que será deles. Por isso que o trabalho imenso que você está fazendo para gravar um vídeo, não dá em nada. Muito pelo contrário: acaba caindo no ridículo.

Nessa nova era, o aluno é o protagonista e ele também detém o conhecimento, já que há conhecimento por toda parte e acessível a todos (ou quase). Nossos meninos não precisam mais aprender datas, decorar nomes, pois estão a um clique de tudo isso.

Do que eles precisam então? Ser bons cidadãos e estar preparados para viver nesse mundo VUCA (volátil, incerto, complexo ambíguo), um mundo onde não se compra mais apartamento, pois se pode viver em qualquer lugar do mundo, já que estamos em um mundo global e interconectado. Não se compra mais carro, pois a posse pouco importa, importa a facilidade de pegar um Uber em 5 minutos e ir lendo um livro no carro.

Importa o propósito, o significado, a felicidade e não os bens, nem a construção de nada, pois estes castelos de areia vão ser levados pela primeira onda que passar. Os jovens precisam aprender a serem especialistas-generalistas sem enlouquecer. (Ué, mas esses dois conceitos não são contrários? Não, a cada dia temos mais pessoas multipotenciais, que se aprofundam nos mais diversos conhecimentos e fazem dessa mistura uma carreira.)

Alunos precisam criar coisas, produtos, empresas, precisam saber ensinar e se portar na frente do vídeo. Para isso precisam saber fazer projetos, roteiros, artigos para portais como este aqui, no qual vos escrevo. É a era em que se potencializam as competências, em vez de fazer reforço escolar nas matérias em que tem mais dificuldade. Se tem dificuldade, por que não melhorar o que é fácil para ele: seus talentos?

Seria bom desenvolver sua inteligência emocional também, que já é uma das competências mais valorizadas pelas empresas. Bem como sua proatividade e vontade de aprender. As habilidades técnicas e currículos caíram por terra, é melhor você ser um ser humano melhor do que um tecnólogo.

Se a carreira se torna volátil, a universidade também deixa de ser o sonho da maioria. Não adianta, portanto, me dizer que “eles precisam passar no Enem, temos que continuar com o conteúdo tradicional”. Uma faculdade de marketing estará mais do que ultrapassada na formatura da pobre criatura que optar por este curso. É besteira. Temos todos os cursos prováveis e improváveis na internet. E até por preços módicos.

Todos perceberam que têm algo para ensinar e que podem ganhar dinheiro com isso. É irônico estarmos na época em que a Educação está tão em alta e você parecer um dinossauro, não é?

Ah, e tudo isso deverá ser gamificado, para não ficar entediante. Entre para o mundo dos apps e dos jogos, aliás: dos games. Faça essa ponte, não é difícil. Basta tentar entrar e decifrar o universo deles.

Está na hora de invertermos os papéis e fazer com que os jovens sejam os professores e os professores, os alunos. Está na hora de usar a caixola e deslizar os dedos nas telas desse mundão de meu Deus. Simplesmente relaxa e se joga!

 

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