A história de Dani Ezequiel é marcada por amor, resiliência e propósito. Mãe de Thomas, autista nível 3 de suporte, ela transformou os desafios da maternidade atípica em uma missão que hoje busca impactar a vida de muitas outras famílias.
Ao longo da sua caminhada, Dani percebeu que milhares de mães enfrentam dificuldades semelhantes às suas: acesso limitado a tratamentos, altos custos de terapias, falta de acolhimento e a sobrecarga emocional de cuidar de um filho que necessita de atenção constante. Foi dessa realidade que nasceu o desejo de criar um projeto capaz de oferecer apoio, inclusão e atendimento acessível para famílias atípicas.
Em entrevista ao Portal Utilità, Dani compartilha sua trajetória, seus desafios, seus sonhos e o propósito que a move diariamente.
1. Como começou a sua história como empreendedora?
A minha história como empreendedora começou quando percebi, de perto, que nem todas as crianças autistas têm acesso às mesmas oportunidades de tratamento e acompanhamento.
Também passei a enxergar uma realidade que muitas vezes fica invisível: a saúde mental das mães atípicas. Enquanto algumas famílias, por terem melhores condições financeiras, conseguem construir uma rede de apoio e oferecer uma estrutura maior aos seus filhos, muitas outras mães enfrentam essa caminhada praticamente sozinhas, sem recursos e, muitas vezes, sem o suporte necessário.
Eu vi o sofrimento dessas mães. Vi o sofrimento de muitas famílias atípicas. E foi justamente dessa realidade que nasceu em mim a vontade de transformar indignação em ação.
Comecei a pensar em um projeto capaz de reunir profissionais, atendimento, acolhimento e suporte para essas famílias, olhando tanto para a criança quanto para quem cuida dela.
Meu objetivo é, principalmente, alcançar crianças e adolescentes autistas com níveis de suporte 2 e 3, que possuem necessidades mais intensas de apoio, e ao mesmo tempo oferecer acolhimento e atenção à saúde mental das mães e famílias atípicas.
Foi assim que nasceu a minha vontade de empreender: não apenas para criar um negócio, mas para construir um projeto com propósito, impacto social e capacidade de transformar vidas.
2. Qual foi o maior desafio que você enfrentou nessa trajetória — e o que aprendeu com ele?
O maior aprendizado que tive ao longo dessa caminhada foi entender que fazer o bem não depende de quem vai receber, mas da necessidade de quem precisa ser acolhido.
Quando comecei a observar mais profundamente a realidade das famílias atípicas e das pessoas com deficiência, percebi quantas crianças, adolescentes e até adultos autistas, especialmente aqueles com níveis de suporte 2 e 3, necessitam de acompanhamento contínuo de uma equipe multidisciplinar, mas não conseguem ter acesso a esse tratamento por falta de condições financeiras.
E foi justamente diante dessa realidade que o meu projeto ganhou ainda mais sentido.
A proposta é criar um espaço onde essas famílias possam encontrar profissionais qualificados e atendimento multidisciplinar por um valor social e acessível, muito diferente dos custos que muitas famílias encontram atualmente no atendimento particular.
Não quero que uma mãe precise escolher entre pagar as contas da casa e proporcionar uma terapia essencial para o desenvolvimento do filho. Também não quero que uma pessoa autista deixe de receber acompanhamento simplesmente porque sua família não consegue arcar com os valores praticados no mercado.
O projeto nasce para buscar uma alternativa: atendimento de qualidade, dignidade, inclusão e preço justo, especialmente para quem mais precisa.
Mais do que empreender, quero construir uma rede de cuidado. Porque, para mim, o verdadeiro impacto de um projeto não está apenas no que ele arrecada, mas principalmente nas vidas que consegue alcançar e transformar.
3. O que mais te inspira a empreender todos os dias?
O que mais me inspira a empreender todos os dias são as próprias famílias atípicas: suas histórias, suas lutas e, principalmente, a necessidade de transformar uma realidade que ainda é muito desigual.
Ver uma mãe buscando atendimento para o filho e não conseguindo por falta de recursos me faz querer continuar. Ver crianças, adolescentes e adultos autistas, especialmente os de níveis de suporte 2 e 3, precisando de acompanhamento adequado e encontrando tantas barreiras reforça ainda mais o meu propósito.
Minha inspiração vem da possibilidade de fazer a diferença de forma concreta. Não quero apenas falar sobre inclusão; quero criar caminhos para que ela aconteça.
Empreender, para mim, significa transformar uma causa em ação, oferecendo acolhimento, atendimento multidisciplinar acessível e dignidade para quem precisa.
E é isso que me move todos os dias: saber que um projeto pode mudar não apenas a vida de uma pessoa autista, mas a realidade de toda uma família atípica.
4. Como o seu trabalho contribui para transformar vidas ou impactar positivamente?
Meu trabalho contribui para transformar vidas porque nasce de uma realidade que eu conheço de perto: as dificuldades enfrentadas diariamente pelas famílias atípicas para garantir atendimento, inclusão, dignidade e qualidade de vida para seus filhos.
Meu propósito é transformar essa realidade por meio de ações concretas, oferecendo às crianças, adolescentes e adultos autistas, principalmente aqueles com níveis de suporte 2 e 3, acesso a uma equipe multidisciplinar qualificada por um valor social e acessível.
Mas o meu olhar não está somente na pessoa autista. Eu acredito que para cuidar verdadeiramente de uma pessoa com deficiência, também precisamos cuidar de quem cuida. Por isso, a saúde mental e o acolhimento das mães e das famílias atípicas fazem parte da essência do meu trabalho.
Quero contribuir para que uma mãe se sinta amparada, para que uma família tenha esperança e para que uma pessoa autista tenha oportunidades de desenvolver suas potencialidades com respeito e dignidade.
Meu trabalho transforma vidas quando transforma acolhimento em ação, necessidade em oportunidade e inclusão em realidade.
Esse é o impacto que quero deixar: nenhuma família deveria caminhar sozinha simplesmente porque não tem condições financeiras de pagar pelo cuidado de que necessita.
5. Existe um momento marcante ou conquista especial que representa o seu caminho até aqui?
Existe, sim, um momento que marcou e transformou profundamente a minha vida: o dia em que recebi o laudo do meu filho Thomas e soube que ele era autista, nível de suporte 3, e que poderia permanecer não verbal ao longo da vida.
Aquele momento mudou tudo para mim. Mudou a minha forma de enxergar a maternidade, o futuro e até o meu propósito de vida. É algo que me marcou profundamente e que continua presente em mim todos os dias.
Desde então, uma das minhas maiores lutas é proporcionar ao Thomas o máximo de conforto, desenvolvimento, dignidade e qualidade de vida. Peço a Deus todos os dias que me dê condições para mantê-lo acompanhado por uma boa equipe multidisciplinar e para continuar oferecendo todas as oportunidades possíveis para que ele avance.
E, dentro de mim, existe um sonho muito especial: ouvir a voz do meu filho me chamando de “mamãe”. Assim como o pai dele sonha em ouvi-lo dizer “papai”. Pode parecer uma palavra simples para muitas pessoas, mas, para nós, ela representa um mundo inteiro.
Ao mesmo tempo, existem momentos especiais que renovam minhas forças: cada pequena evolução do Thomas, cada conquista durante os tratamentos, cada nova habilidade adquirida. Aprendi que, na nossa realidade, aquilo que pode parecer pequeno para os outros pode representar uma vitória gigantesca para uma família atípica.
Também me emociona perceber que a nossa história alcança outras pessoas. Muitas famílias atípicas me procuram, querem saber sobre a evolução do Thomas, compartilham suas dificuldades e encontram em nossa caminhada um espaço de troca e acolhimento.
Por isso, a história do meu filho também se tornou parte do meu propósito. Enquanto espero pelo dia em que ouvirei “mamãe”, sigo lutando para que Thomas tenha todas as oportunidades de se comunicar, seja pela fala ou por outras formas de comunicação, e para que outras famílias atípicas também tenham acesso ao cuidado e ao apoio que seus filhos precisam.
Esse é o sonho que carrego no coração e uma das maiores forças que me fazem continuar todos os dias.
6. Que mensagem você deixaria para quem está começando agora e sonha em empreender?
A mensagem que eu deixo para todas as pessoas que desejam empreender é: nunca deixem seus sonhos de lado. Persistam, insistam e acreditem naquilo que faz sentido para vocês.
No meu caso, escolhi empreender justamente no lugar onde a minha dor encontra os meus sonhos. Sou mãe de um filho autista e transformei muitas das dificuldades que vivencio nessa caminhada em força para construir algo que possa ajudar outras pessoas.
Quando plantamos um projeto, não estamos construindo apenas um empreendimento. Estamos colocando ali nossos sonhos, nossas conquistas, nossa história e também a esperança de alcançar uma vida melhor.
Mas acredito que existe algo ainda maior: quando o nosso sonho também consegue realizar o sonho de outras pessoas.
Por isso, a minha mensagem é: não desistam. Às vezes, aquilo que nasceu da nossa maior dor pode se transformar no nosso maior propósito. E o sonho que começamos construindo para nós mesmos pode acabar transformando a vida de muitas outras pessoas.
7. Como você definiria a sua trajetória até este momento?
Eu definiria a minha trajetória em prol das famílias atípicas e das pessoas com deficiência como uma caminhada de amor, luta, aprendizado, persistência e propósito.
Tudo começou dentro da minha própria casa, com a maternidade atípica e com os desafios vividos ao lado do meu filho Thomas. A partir da nossa realidade, passei a enxergar também a realidade de tantas outras famílias que enfrentam dificuldades para conseguir tratamento adequado, inclusão, acolhimento e respeito.
Com o tempo, percebi que a minha luta não poderia ficar restrita apenas ao meu filho. A dor individual se transformou em uma causa coletiva.
Se eu tivesse que resumir minha trajetória em uma frase, seria:
“Comecei lutando pelo meu filho e descobri, no caminho, que minha missão também era lutar para que outras famílias não precisassem caminhar sozinhas.”
8. Descreva o seu trabalho hoje, dando nome para o que faz. Como se fosse um pitch de vendas.
Eu transformo a minha experiência como mãe atípica em propósito, acolhimento e impacto social.
Minha atuação nasceu da minha própria história com o autismo e da percepção de que milhares de famílias ainda enfrentam dificuldades para encontrar orientação, acolhimento e, principalmente, acesso a um atendimento multidisciplinar de qualidade.
Hoje, meu trabalho é voltado à defesa, orientação e acolhimento das famílias atípicas e das pessoas com deficiência, com um olhar especial para pessoas autistas com níveis de suporte 2 e 3 e para a saúde mental de quem cuida.
Meu próximo passo é transformar essa atuação em um empreendimento de impacto social, criando uma rede de atendimento multidisciplinar acessível, que aproxime profissionais qualificados das famílias que não conseguem suportar os altos custos de tratamentos particulares.
Meu propósito é simples: tornar o cuidado mais acessível, acolher quem cuida e ampliar oportunidades para quem precisa de mais suporte.
Um propósito que nasceu do amor
A história de Dani Ezequiel mostra como experiências pessoais podem se transformar em iniciativas capazes de impactar muitas vidas. O que começou como a luta de uma mãe pelo desenvolvimento do filho tornou-se um projeto que busca acolher, orientar e criar oportunidades para outras famílias atípicas.
Acompanhando a evolução de Thomas e ouvindo diariamente histórias semelhantes à sua, Dani segue construindo uma rede de apoio baseada em empatia, inclusão e esperança. Seu objetivo é que mais crianças, adolescentes e adultos autistas tenham acesso ao acompanhamento que merecem e que nenhuma família precise enfrentar essa jornada sem suporte.
Para acompanhar o trabalho de Dani Ezequiel e conhecer mais sobre sua atuação em defesa das famílias atípicas, siga suas redes sociais:
Instagram, Facebook, TikTok e X (Twitter): @daniezequielrj
Porque quando uma mãe encontra acolhimento, toda uma família ganha força para seguir em frente.

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