O início do ano costuma vir acompanhado de expectativas, planejamentos e revisões. Empresas ajustam metas, profissionais reavaliam caminhos e o mercado de trabalho se
reorganiza após um período intenso de encerramentos e balanços. Nesse cenário, mais do
que promessas de grandes viradas, o que realmente faz diferença é começar com clareza,
método e decisões conscientes.
O ano não começa do zero. Ele se desenvolve a partir do que foi construído ao longo do
ciclo anterior. Por isso, refletir sobre tendências de RH e mercado de trabalho pede menos
entusiasmo automático e mais atenção ao contexto e às transformações em curso.
O mercado segue exigente e mais atento à coerência
Uma das tendências mais evidentes para o período que se inicia é a valorização da
coerência entre discurso e prática.
O mercado está mais atento a processos bem estruturados, relações profissionais maduras e modelos de gestão que se sustentem no dia a dia. Isso se reflete em movimentos claros, como:
- Maior atenção à consistência dos resultados;
- Valorização de processos organizacionais bem definidos;
- Busca por lideranças preparadas;
- Um olhar mais cuidadoso para a cultura organizacional.
Não se trata de endurecer relações, mas de torná-las mais responsáveis e alinhadas à realidade.

RH mais estratégico e conectado ao negócio
No campo de Recursos Humanos, o movimento é cada vez mais claro: o RH deixa de ser
apenas operacional para assumir um papel estratégico. Ganha relevância o RH que:
- Analisa indicadores;
- Compreende o negócio;
- Acompanha o comportamento das equipes;
- Contribui para decisões mais consistentes.
Temas como educação corporativa, desenvolvimento de lideranças, mapeamento comportamental e diversidade e inclusão passam a integrar a sustentação do negócio,
deixando de ser iniciativas isoladas.
Gestão humanizada sem excessos de idealização
Muito se fala em gestão humanizada, mas ainda existem interpretações equivocadas.
Humanizar não significa aliviar metas ou evitar conversas difíceis. Significa conduzir processos com clareza, escuta, contexto e responsabilidade.
Empresas que ignoram o cansaço das equipes ou deixam de alinhar expectativas no início do ano costumam enfrentar dificuldades mais adiante, como queda de engajamento, retrabalho e perda de talentos. Humanizar é sustentar resultados sem perder as pessoas no caminho.
Ferramentas práticas para iniciar o ano com mais estrutura
- Algumas ações simples e possíveis ajudam empresas e profissionais a iniciar o ano de forma mais organizada e consciente:
- Leitura do ciclo anterior: identificar o que funcionou, o que precisa ser ajustado e o
que não deve se repetir; - Acompanhamento de indicadores essenciais, como produtividade, engajamento e
entregas críticas; - Diagnóstico de competências para direcionar ações de desenvolvimento;
- Planejamento de prioridades, evitando listas excessivas e pouco viáveis;
Conversas de alinhamento com lideranças e equipes-chave
O início do ano não pede pressa. Pede presença. Menos promessas e mais consistência.
Empresas e profissionais que compreendem isso iniciam o ciclo com mais segurança, menor desgaste e maior capacidade de adaptação ao longo do caminho.
Desenvolvimento humano, educação corporativa e gestão consciente não funcionam com
atalhos. Funcionam com método, acompanhamento e decisões alinhadas à realidade.
Começar bem é, antes de tudo, começar com clareza.
* Por Anna Luisa Silva, Consultora de Recursos Humanos / CEO da Lati Bere Consultoria

























