O início de um novo ano costuma vir acompanhado de promessas, metas e expectativas. Entre elas, quase sempre, está a alimentação. Comer melhor. Emagrecer. Cuidar do corpo. Mudar hábitos.
Mas, em meio a tanta informação, cobranças e modelos inalcançáveis, a comida acabou se tornando, para muitas pessoas, uma fonte de ansiedade quando deveria ser exatamente o contrário.
Vivemos uma época em que o corpo é constantemente avaliado, comparado e exposto. A comida, então, passa a ocupar um lugar delicado: ora vira punição, ora vira culpa; ora é proibida, ora é exagerada. Surge a ideia de “comida certa” e “comida errada”, como se alimentar fosse uma prova moral e não uma necessidade humana, cultural e afetiva.
A verdade é que não existe comida boa ou ruim por si só. Existem contextos, excessos, restrições médicas específicas e escolhas conscientes. Fora isso, o que existe é equilíbrio.
A alimentação pode e deve ser leve. Leve no prato, mas também leve na cabeça.
Para muitas mulheres modernas, que trabalham muito, cuidam de tudo e de todos, a relação com a comida se tornou mais uma cobrança diária. O corpo precisa estar em forma, o prato precisa ser “permitido”, o prazer precisa ser negociado. Nesse cenário, comer deixa de ser um momento de cuidado e passa a ser um campo de batalha silencioso.
E talvez o caminho esteja justamente no meio. Entre quem precisa emagrecer e quem luta contra a compulsividade. Entre quem quer saúde e quem não quer abrir mão do prazer. Entre quem busca disciplina e quem precisa de acolhimento.
Comer bem não precisa ser sinônimo de rigidez. E cuidar do corpo não deveria significar abrir mão do prazer, da memória afetiva e do conforto que a comida traz.
A comida pode ser saúde, sim, mas também pode ser afeto, pausa, encontro e reconexão consigo mesma. Um momento de presença em meio à correria. Um gesto de autocuidado que não cobra, não pune e não exige perfeição.
Talvez, neste novo ano, mais do que mudar o corpo, valha a pena mudar a forma como olhamos para ele. E, principalmente, mudar a relação que construímos com a comida.
Que ela volte a ser aliada. Que volte a ser prazer. Que volte a ser casa.

























