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Como dosar o acesso de crianças a IA na educação

A inteligência artificial (IA) já não é mais “o futuro”. Ela já está nos assistentes de voz, nas ferramentas de pesquisa, nos aplicativos que corrigem textos e até nos brinquedos que conversam com as crianças. Inclusive, este último fato me preocupa bastante.

Uma grande indústria de brinquedos está para lançar bonecas com IA integrada. Eu sinceramente não sei o que esperar disso. Só sei que nossas crianças e adolescentes têm sido verdadeiras cobaias do uso da tecnologia. E quais os impactos disso em cérebros ainda em formação?

Surge então uma pergunta urgente: como dosar o acesso das crianças à IA no ambiente educacional? A resposta não está no “tudo ou nada”. Não se trata de excluir a tecnologia nem de entregá-la sem filtro. Trata-se de mediação e uso consciente. E aqui vale lembrar: criança não precisa de acesso ilimitado à tecnologia, precisa de acesso significativo, com intencionalidade pedagógica.

Um robô que responde perguntas não substitui uma conversa entre colegas. Um jogo de lógica pode estimular o raciocínio, mas não ensina empatia, a lidar com frustração ou sobre boa convivência.

A IA pode, sim, ser uma aliada poderosa na educação

Pode personalizar experiências, adaptar conteúdos, ajudar na inclusão de crianças com deficiência. Mas não podemos terceirizar o protagonismo da infância a algoritmos. Quem conduz o processo é o educador, com olhar sensível e crítico.

Mais do que ensinar a usar IA, precisamos ensinar as crianças a pensar sobre ela. Quem criou esse programa? Com qual intenção? Essa resposta é justa? Essa imagem é verdadeira? Sem esse olhar ético e reflexivo, criamos usuários passivos, não cidadãos digitais.

Outro ponto essencial é o tempo de exposição. A infância pede corpo em movimento, mãos sujas de tinta, olhos atentos às nuvens, ao mar, à terra e não só às telas. A IA deve entrar como recurso, não como rotina principal. Não é sobre proibir, mas sobre proteger o tempo da infância que é feito de descobertas reais e não só virtuais.

Em resumo: dosar o acesso à IA e à tecnologia em geral é garantir que ela seja uma ferramenta de ajuda e não o contrário. É confiar no poder da tecnologia, mas ainda mais no poder da relação humana. Porque nenhuma máquina, por mais inteligente que seja, substitui o afeto, o vínculo e o olhar de quem educa com o coração e com propósito. Afinal, educação é sobre gente que cuida de gente!

IMG 20250721 WA0022Artigo de Fernanda King, Neuropedagoga, especialista em Educação Infantil, escritora, palestrante e fundadora do Petit Kids Cultural Center.

É formada em Instituições renomadas como a Loris Malaguzzi International Centre (Reggio Emília – Itália), no Jardín Fabulinus (Argentina), no Instituto Cognos (Portugal) e na Rede Pikler-Lóczy (Brasil).

Já palestrou em diversas escolas do Brasil, com temas como “Educar no século XXI”; “Comunicar, Inspirar, Transformar”, realizada em diversos eventos, para mais de 2000 pessoas através da Prefeitura de Parintins.

Também participou na Crescer 2024, falando sobre Educação Financeira nas escolas e participou da Bett Educar 2025. É autora do livro infantil “A Bailarina e a Flor” e lançou em 2025, como coautora, o “Inteligência para Crescer”, na Bienal do Rio.

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