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A verdade sobre uma lesão: o problema nunca é só físico

Saudações aos leitores do Portal Utilità! Se você já passou por uma lesão, sabe: o problema nunca é só físico. O corpo para, mas a mente dispara – e nem sempre na direção certa. A sensação de estagnação, o medo de não voltar ao nível anterior e a perda de identidade como atleta são comuns nesse período. E é justamente aí que mora o desafio: alinhar a recuperação física ao trabalho mental e cognitivo é o que define a qualidade da volta.

É sobre isso que falaremos hoje. Fique até o final desta coluna e você vai entender por que o cuidado com o corpo não pode ser desconectado do cuidado com a mente – e como uma abordagem integrada potencializa a performance quando a retomada acontecer.

Durante a reabilitação de uma lesão, o cérebro também entra em processo de adaptação. Segundo um artigo publicado no “Journal of Athletic Training”, lesões podem impactar funções cognitivas como memória de trabalho, atenção e controle emocional – especialmente em esportes de alta demanda, como o CrossFit. Isso acontece porque o sistema nervoso central interpreta a lesão como uma ameaça, ativando mecanismos de proteção que afetam inclusive a tomada de decisão.

Portanto, ao interromper apenas a parte física, muitos atletas deixam de lado um componente fundamental da performance: o cérebro precisa reaprender a confiar no corpo. E isso não se faz apenas com gelo, fisioterapia e descanso. O mental também precisa ser treinado.

Um estudo do “British Journal of Sports Medicine” identificou que atletas que mantêm intervenções cognitivas durante a reabilitação – como treino de atenção, visualização de movimentos e regulação emocional – retornam mais rápido e com menos risco de nova lesão. Em outras palavras: trabalhar a mente enquanto o corpo se recupera reduz a ansiedade, fortalece o senso de controle e sustenta a motivação.

Na prática, o que eu aplico com meus atletas é um processo 360. Durante a fase de lesão, eles continuam sendo treinados – só que por dentro. Aplicamos técnicas de ativação cognitiva, traçamos micro metas, usamos recursos de imagética e reforçamos o sentimento de pertencimento e propósito. Isso mantém o atleta ativo, mesmo parado. E mais do que isso: acelera a volta ao treino e à competição.

É nessa hora que surge um novo tipo de liderança: o atleta que passa a ser líder de si mesmo. Ele aprende a lidar com as próprias emoções, conhece os gatilhos mentais que sabotam sua evolução e, com isso, se torna mais completo. A vulnerabilidade imposta pela lesão se transforma em ferramenta de autoconhecimento – e isso é poder.

Essa mudança de postura faz toda a diferença. Atletas que aceitam a pausa como parte do processo, e não como fracasso, voltam mais conscientes, resilientes e prontos para alcançar patamares ainda mais altos. Já vi isso acontecer inúmeras vezes.

Por isso, se você está lesionado ou passando por qualquer pausa forçada, entenda: o trabalho não acabou. Ele apenas mudou de lugar. Cuide do corpo, sim, mas treine também sua mente. Ela é quem comanda a retomada.

Lesão Quer saber mais sobre esse processo e acompanhar práticas que podem te ajudar mesmo fora da arena? Me siga no Instagram: @danimozer_.

Até a próxima coluna.

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