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Quando a caneta emagrecedora para de funcionar: verdade que ninguém te conta sobre emagrecimento duradouro

A revolução das canetas emagrecedoras chegou. Ozempic, Wegovy, Monjauro, esses nomes viraram sinônimo de esperança para milhões de mulheres que lutam contra o peso há anos. E não é exagero. Os resultados iniciais são, de fato, impressionantes.

Estudos mostram perdas médias de 15% a 17% do peso corporal em pouco mais de um ano. Para muitas mulheres, é a primeira vez que a balança finalmente se move. A primeira vez que o corpo responde. A primeira vez que a roupa volta a servir.

E eu preciso ser clara: não sou contra essas medicações. Pelo contrário. Para muitas mulheres, especialmente aquelas com obesidade severa ou condições de saúde associadas as canetas representam um suporte importante, legítimo e, em alguns casos, essencial.

O problema não está na caneta. O problema está no que vem depois. Ou, pior ainda, no que nunca veio junto. Porque existe uma verdade inconveniente que quase ninguém conta: quando a medicação é suspensa, o peso tende a voltar.
E, muitas vezes, volta rápido.

Uma meta-análise da Universidade de Pequim, reunindo 11 estudos com mais de 2.400 participantes, mostrou que o peso começa a retornar entre 8 e 20 semanas após a interrupção do uso. Outro acompanhamento, com cerca de 800 pessoas ao longo de um ano, revelou que dois terços do peso perdido foram recuperados e muitas continuaram ganhando peso depois disso.

E sabe por quê? Porque a caneta não mudou a relação dessa mulher com a comida. E aqui está o ponto mais importante que eu preciso dizer, talvez o mais libertador:
o problema nunca foi você.

Nunca foi falta de força de vontade. Nunca foi preguiça. Nunca foi “falta de foco”. O problema é o significado que a comida ocupa na sua vida. É a função que ela desempenha quando você não está com fome física, mas com fome emocional.

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A terapeuta comportamental Emi Moraes encontrou seu propósito no momento mais desafiador da sua vida

Pense comigo

Uma mulher de 40 anos que carrega 20 quilos a mais não está carregando apenas gordura.

Ela carrega:

  • Anos de dietas que falharam
  • Promessas quebradas consigo mesma
  • Emoções engolidas que viraram compulsão
  • Crenças dolorosas sobre o corpo e o próprio valor

Quando essa mulher começa a usar a caneta, a fome física diminui. Ela emagrece. Ela comemora.

Mas ela continua sem saber lidar com a ansiedade que a faz abrir a geladeira às 23h. Continua sem reconhecer que aquela “fome” depois de uma discussão não é fome, é emoção. Continua usando a comida como anestesia para dor, como recompensa para frustração, como companhia para a solidão.

Porque, para ela, comida nunca foi só comida.

  • Comida é conforto
  • É afeto
  • É controle quando tudo parece fora de controle
  • É punição quando vem a culpa
  • É celebração quando algo dá certo
  • É escape quando dói.

E quando a caneta acaba, tudo isso volta à tona. As emoções não resolvidas. Os gatilhos. As feridas abertas. E o peso volta junto.

Eu vejo isso todos os dias no meu trabalho. Mulheres que perderam 15, 20, 30 quilos com as canetas e que, meses depois, estão de volta ao peso inicial. Ou pior: acima dele.

O famoso efeito sanfona, tão prejudicial quanto a própria obesidade sobrecarrega órgãos, bagunça o metabolismo e aumenta riscos cardiovasculares.

Como resume com precisão a médica Domenica Rubino, especialista em controle de peso:

“A obesidade não é como uma infecção que se resolve com antibióticos. É uma condição crônica que exige tratamento contínuo.”

E esse tratamento não pode ser apenas farmacológico. Ele precisa ser comportamental e emocional.

O que falta?

A transformação da relação com a comida. A reeducação da mente e do coração, não apenas do estômago.

Um estudo da Universidade de Copenhague mostrou algo revelador: pessoas que usaram a medicação associada a mudanças reais de hábitos, como exercícios supervisionados, conseguiram manter o peso mesmo após suspender o uso.

A diferença não foi a caneta. Foi a mudança interna. Mas ir além do exercício é fundamental.

É aprender a perceber que aquele chocolate buscado às 15h não é fome e sim ansiedade, tédio, solidão, exaustão.

É aprender a se perguntar: “Estou com fome… ou estou com dor?” Isso não se resolve em 12 semanas de injeções.

Isso é um trabalho profundo. De mentalidade. De comportamento. De reconexão emocional.

É identificar gatilhos e desmontar crenças como: “comida é amor”, “mereço comer porque tive um dia difícil”, “não consigo parar porque sou fraca”.

É construir novas formas de se regular emocionalmente sem passar pelo prato. E aqui está o ponto central: a caneta pode ser uma ponte. Ela pode te dar fôlego. Pode facilitar o começo.

Mas você precisa atravessar

E atravessar significa cuidar das feridas que usam a comida como anestesia. Significa ressignificar o papel da alimentação na sua vida.
Significa construir a identidade de alguém que é magra por dentro, não apenas alguém que emagreceu por um período.

Se você está usando ou pensando em usar uma caneta emagrecedora, não estou aqui para te desencorajar. Use, se for indicado pelo seu médico.

Mas não use sozinha. Não confie apenas na química. Porque quando ela acabar o que vai te sustentar Qual ferida ainda estará ali, pedindo atenção?

O verdadeiro emagrecimento, aquele que não volta, que liberta de verdade acontece quando você transforma sua relação com a comida.

Quando ela deixa de ser remédio para emoções e volta a ser nutrição. A caneta pode silenciar a fome do estômago. Mas só você pode curar a fome da alma.

E se você sente que está pronta para esse trabalho mais profundo que vai além do número na balança eu te convido a conhecer o Além da Balança. Um programa de 21 dias onde trabalhamos exatamente isso:

  • Relação com a comida
  • Identificação de gatilhos emocionais.
  • Regulação emocional
  • Construção de um emagrecimento que permanece

Porque você não precisa de mais uma dieta. Você precisa curar as feridas que fazem você comer quando não está com fome.

Instagram: @euemi_moraes

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