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Antes era gigolô. Agora é hobosexual? O novo nome para um velho problema

Antigamente, o popular era chamar de gigolô. Em 2026, as redes sociais deram uma repaginada no vocabulário e popularizaram outro termo: hobosexual

O nome é moderno. O comportamento, nem tanto. A expressão vem sendo usada informalmente para descrever aquela pessoa que entra em um relacionamento amoroso tendo entre seus principais interesses algo muito concreto: um lugar para morar e uma vida mais confortável às custas do parceiro.

E, embora o termo possa ser aplicado a qualquer gênero, o alerta aqui é especialmente para as mulheres.

O roteiro costuma ser rápido. Ele aparece intenso, apaixonado e cheio de planos. Em pouco tempo, começa a dormir na sua casa. Primeiro, deixa uma escova de dentes. Depois, algumas roupas. Quando você percebe, a escova de dentes ganhou guarda-roupa, chave do portão, senha do Wi-Fi e endereço fixo.

E o detalhe? A contribuição para as despesas nem sempre acompanha a velocidade da mudança.

É quase um “Minha Casa, Minha Vida” afetivo — só que o imóvel é seu.

Brincadeiras à parte, o assunto merece atenção.

Muitas mulheres possuem casa própria, emprego estável, negócio, veículo e uma vida financeiramente organizada. Justamente por isso, podem se tornar alvo de pessoas que enxergam no relacionamento uma oportunidade de obter a estabilidade que não construíram sozinhas.

É comum que relatos associados a esse tipo de comportamento mencionem parceiros com histórico de instabilidade profissional, dificuldades financeiras recorrentes e grande resistência quando chega a hora de dividir responsabilidades.

Também é frequente o uso da palavra “narcisista” para descrever esses parceiros. Mas é importante fazer uma ressalva: narcisismo, quando relacionado a um transtorno de personalidade, é uma questão clínica e não deve ser diagnosticado pela internet ou simplesmente atribuído a alguém porque se mostrou interesseiro, manipulador ou irresponsável.

Independentemente do rótulo, porém, alguns comportamentos merecem atenção.

Quando a pessoa demonstra enorme interesse pelo seu patrimônio e pouca disposição para construir o próprio; quando todos os empregos “dão errado”; quando as dificuldades financeiras são sempre culpa de terceiros; quando rapidamente surge a necessidade de “ficar só uns dias” na sua casa; e quando qualquer conversa sobre dinheiro ou responsabilidades termina em chantagem emocional, talvez seja prudente observar melhor a situação.

Porque o problema pode ficar ainda maior quando o relacionamento termina.

## Entrar pode ser fácil. Tirar de casa nem sempre é.

É nesse momento que algumas mulheres descobrem que terminar o namoro não significa necessariamente conseguir que o ex-companheiro faça as malas imediatamente.

Dependendo das circunstâncias concretas, da duração e das características da convivência, podem surgir discussões jurídicas sobre a natureza daquela relação, eventual união estável, patrimônio, posse do imóvel e outros direitos e obrigações.

Em determinadas situações, a proprietária pode até precisar **procurar um advogado e recorrer ao Judiciário para conseguir regularizar a situação e obter a saída daquele ex-parceiro do imóvel**.

Ou seja: aquele homem que chegou dizendo “amor, é só por uns dias” pode acabar saindo acompanhado de notificação extrajudicial, processo e advogado.

Por isso, especialmente quando existe patrimônio envolvido, informação também é uma forma de proteção.

Ter um relacionamento não significa entregar automaticamente direitos sobre tudo aquilo que você conquistou antes dele. Da mesma forma, morar junto não deve ser uma decisão tomada apenas pela emoção do início da relação.

Conheça a pessoa. Observe como ela administra a própria vida. Veja como se relaciona com trabalho, dinheiro e responsabilidades. Converse sobre despesas. E, principalmente, não tenha vergonha de estabelecer limites.

Amor não deveria exigir que uma mulher se transforme simultaneamente em **namorada, proprietária do imóvel, provedora, banco e plano de previdência privada**.

Ajudar alguém que atravessa uma dificuldade é completamente diferente de sustentar indefinidamente uma pessoa que fez da sua estabilidade um projeto de vida.

No fim das contas, talvez a palavra “hobosexual” seja apenas uma maneira moderna — e um pouco irônica — de falar sobre um problema antigo.

Mudou o nome. Mudou a hashtag. **Mas a conta continua chegando para alguém.**

Por isso, mulher, fique atenta: antes de entregar a chave da sua casa, observe se aquela pessoa quer realmente **construir uma vida com você ou simplesmente morar na vida que você já construiu**.

E agora quero saber a sua opinião:

Você já conheceu um “hobosexual”? Já viu alguém entrar em um relacionamento e, pouco tempo depois, simplesmente se instalar na vida — e na casa — da outra pessoa?

Conte sua experiência. Só não precisa colocar o nome do cidadão. Afinal, queremos comentários, não mais um processo.

Gigolô
Dra. Cátia Vita, a advogada (@catiavita).

Siga: @suaredeutilita

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Advogada

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