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Toy Story 5 e a importância do brincar em uma era dominada pelas telas

Novo filme da franquia coloca brinquedos tradicionais frente a frente com os dispositivos eletrônicos e abre espaço para discutir os impactos do excesso de telas no desenvolvimento infantil

A chegada do filme Toy Story 5 aos cinemas traz um tema bastante atual: pela primeira vez, Woody, Buzz Lightyear e os demais brinquedos terão como principal “concorrente” a nova paixão das crianças do século XXI — os dispositivos eletrônicos. A premissa do filme acompanha a dificuldade dos brinquedos tradicionais em disputar a atenção com tablets, celulares e videogames, refletindo uma realidade vivida por milhões de famílias em todo o mundo.

A discussão, segundo Diana Quintella, diretora da MiniMe Educação Infantil, que atua no Rio de Janeiro, ultrapassa o entretenimento e coloca em evidência uma preocupação crescente: quais são os impactos do excesso de telas sobre o desenvolvimento infantil e por que o brincar continua sendo uma necessidade essencial para as crianças?

“Quando as telas passam a ocupar um espaço excessivo na rotina, elas acabam reduzindo oportunidades fundamentais de exploração, movimento, imaginação e o mais importante, a interação humana. A tecnologia pode fazer parte da vida das crianças, mas precisa ocupar um lugar equilibrado. O desafio das famílias não é eliminar as telas, e sim garantir que elas não substituam aquilo que é indispensável para o desenvolvimento infantil: o brincar livre, as experiências concretas, o contato com outras pessoas e as descobertas que só acontecem nas experiências reais.”, diz a diretora.

*Cuidados e equilíbrio*

Os educadores enxergam como o brincar livre favorece o desenvolvimento cognitivo, emocional, social e motor. Para a especialista, por meio das brincadeiras que as crianças exercitam a criatividade, desenvolvem a linguagem, aprendem a resolver conflitos, fortalecem vínculos afetivos e constroem habilidades importantes para a vida adulta. Em contrapartida, o uso excessivo de telas tem sido associado a prejuízos na atenção, no sono, na aprendizagem, na prática de atividades físicas e nas interações sociais.

A diretora da MiniMe relembra que a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que crianças menores de dois anos não tenham contato com telas e que, entre dois e cinco anos, o tempo de exposição seja limitado e, sempre com supervisão.

“Hoje sabemos, graças aos avanços da neurociência, que o cérebro da criança é moldado pela qualidade das experiências vividas. Na primeira infância, cada brincadeira, cada conversa, cada história contada e cada interação com um adulto ou com outra criança fortalece circuitos neurais essenciais para a linguagem, a atenção, a memória, as funções executivas e as competências socioemocionais. É por isso que as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria e da Organização Mundial da Saúde defendem limites para o tempo de tela: não porque a tecnologia seja uma vilã, mas porque ela não pode ocupar o espaço das experiências concretas que estruturam o desenvolvimento infantil”, pontua.

O filme apresenta a tecnologia de uma maneira muito interessante: não como uma vilã, mas como parte da rotina das crianças. A mensagem é que ela pode estar presente, desde que não ocupe o lugar do brincar, das relações e das experiências vividas fora das telas. Embora os recursos digitais possam ser utilizados de forma complementar e intencional, especialistas alertam que eles não substituem as vivências concretas fundamentais para o desenvolvimento nos primeiros anos de vida. É justamente esse contraste que Toy Story 5 transforma em narrativa, aproximando um universo conhecido do público de um debate cada vez mais presente na sociedade.

“Ao transformar uma questão contemporânea em tema central da história, Toy Story 5 reforça uma reflexão que vai além das salas de cinema. Em uma sociedade cada vez mais conectada, preservar o tempo de brincar é um dos maiores investimentos que podemos fazer no desenvolvimento infantil. Mais do que entreter, o filme convida famílias, escolas e educadores a refletirem sobre como equilibrar o uso da tecnologia sem abrir mão das experiências que constroem autonomia, criatividade, vínculos e aprendizagem.”, afirma.

O filme também faz um convite aos adultos. As crianças aprendem muito mais pelo exemplo do que pelo discurso. Não faz sentido exigir que elas reduzam o tempo de tela se os pais interrompem conversas, refeições e momentos de convivência para olhar o celular. O equilíbrio precisa ser construído por toda a família.

“O maior concorrente dos brinquedos nem sempre é o tablet; muitas vezes, é o celular nas mãos dos próprios adultos. As crianças aprendem observando. Se queremos que elas valorizem o brincar, a convivência e a presença, precisamos demonstrar esses valorese as nossas próprias escolhas. O equilíbrio entre tecnologia e infância começa pelo exemplo que damos dentro de casa”, finaliza Quintella.

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