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O melhor momento para mudar de plano de saúde pode ser antes dos 60

Há decisões que a gente toma pelo preço. Outras, pela conveniência. E existem aquelas que deveriam ser tomadas pelo tempo.

O plano de saúde pertence a essa última categoria. Porque existe uma diferença enorme entre poder mudar e ter boas opções para escolher quando decidir mudar.

É por isso que, quando alguém me pergunta qual é o melhor momento para rever o plano de saúde, minha resposta costuma surpreender:
antes dos 60.

Não porque exista uma regra dizendo que, depois dessa idade, você não pode mais trocar de plano.

Pode.

Mas porque, no mercado de saúde suplementar, o tempo pode diminuir algumas possibilidades comerciais. E esperar demais pode significar descobrir isso justamente quando você mais precisa de alternativas.

O tempo também entra na conta

Aos 30, 40 anos, é fácil pensar que o plano de saúde é apenas mais uma despesa mensal.

A gente escolhe um.

Coloca no débito automático.

E segue a vida.

Só que a vida muda.

Mudam os médicos.

Mudam os hospitais de preferência.

Muda o bairro.

Muda a renda.

Mudam as necessidades.

E, principalmente, muda a relação que temos com a própria saúde. O plano que fazia sentido aos 42 pode não ser o mesmo que faz sentido aos 60.

E aquele contrato que parecia perfeito dez ou quinze anos atrás pode ter se tornado caro, inadequado ou simplesmente incompatível com a vida que você leva hoje.

É aí que entra a revisão.

Não necessariamente para trocar.

Mas para saber se ainda vale a pena ficar.

Existe uma diferença entre regra e oportunidade

Aqui está um ponto que muita gente desconhece. A ANS, Agência Nacional de Saúde, regulamenta a Portabilidade de Carências, que permite ao beneficiário mudar de plano sem cumprir novamente determinados períodos de carência, desde que cumpra requisitos como estar em dia com as mensalidades, manter o contrato ativo e respeitar o tempo mínimo de permanência, entre outras condições.

Ou seja: a idade, por si só, não impede a portabilidade.

Mas o mercado tem suas próprias regras comerciais.

Dependendo do produto, podem existir condições específicas para redução ou aproveitamento de carências, além de critérios de aceitação e idade para contratação.

E é justamente aí que os 60 e poucos anos começam a merecer atenção.
Não porque exista uma “data de validade” para mudar de plano.
Mas porque as opções comerciais podem se tornar mais restritas conforme a idade avança.

Por isso, eu gosto de trabalhar com uma ideia simples: não espere precisar mudar para descobrir até onde você consegue mudar.

Aos 59 anos, talvez você ainda tenha tempo. Aos 70, talvez tenha menos escolhas.

É uma diferença sutil.

Mas importante.

Em alguns produtos comercializados no mercado, a redução de carências pode ter critérios de idade que chegam até determinada faixa, e 64 anos aparece com frequência como referência comercial.

Isso não é uma regra geral.

É uma condição que precisa ser analisada produto por produto.

E essa distinção é fundamental.

Porque plano de saúde não é uma prateleira onde todos os produtos obedecem às mesmas regras.
Cada operadora pode ter critérios próprios de comercialização, aceitação, carência, coparticipação, rede credenciada e faixa etária.

Por isso, quanto mais madura é a idade do beneficiário, menos sentido faz tomar uma decisão olhando apenas para a mensalidade.

É preciso olhar o cenário inteiro.

O erro não é permanecer. O erro é permanecer sem saber por quê

Eu não acredito que todo mundo precise trocar de plano.

Aliás, muitas vezes, depois de uma análise cuidadosa, minha orientação é exatamente esta: continue onde você está.

Se o plano tem uma boa rede, atende às suas necessidades, cabe no orçamento e oferece uma relação adequada entre custo e benefício, talvez não exista motivo para mudar.

Mas existe uma diferença enorme entre permanecer porque você analisou e escolheu ficar e permanecer simplesmente porque nunca parou para olhar.
Essa diferença pode custar caro.

E se você já passou dos 64?

Calma. Não significa que você perdeu a oportunidade.

Muito menos que está condenado a permanecer no plano atual.

Mas é a importante fazer uma análise cuidadosa.

Porque, nessa fase da vida, uma troca mal planejada pode significar abrir mão de uma rede médica importante, de um hospital de referência ou de uma condição contratual que será difícil recuperar.

E é justamente por isso que eu não gosto da ideia de “trocar de plano”.
Eu prefiro falar em “revisar o plano”.
Trocar pode ser uma consequência.
Revisar é inteligência.

Existe uma hora certa para olhar para o seu plano

Na minha experiência, eu considero especialmente importante que essa revisão aconteça entre os 59 e os 64 anos.

Não significa que aos 59 você precise mudar.

Significa que você deveria começar a olhar.

Comparar.

Perguntar.

Entender.

E, se fizer sentido, avaliar alternativas enquanto ainda existe tempo para escolher com tranquilidade.

Se a pessoa chega aos 60 anos sem nunca ter revisado o contrato, eu ainda considero importante fazer essa análise.

Aos 64, mais ainda.

Porque o melhor momento para tomar uma decisão sobre saúde é quando você ainda pode escolher sem pressa.

A terceira idade não deveria começar com uma preocupação

Envelhecer é inevitável.

Ficar sem opções, não.

É possível envelhecer planejando.

E planejar não significa imaginar doenças ou viver preocupado com o futuro.

Significa justamente o contrário.

Significa olhar para a frente com tranquilidade e pensar:

“Se eu precisar desse plano daqui a cinco, dez ou quinze anos, ele ainda fará sentido?”

Essa é uma pergunta que poucas pessoas fazem.

E talvez seja uma das mais importantes.

Porque plano de saúde não é apenas sobre o que você precisa hoje.

É sobre aquilo que você pode precisar amanhã.

Afinal, qual é a melhor idade para revisar o plano?

Se você me pedir uma resposta objetiva, eu diria: comece a olhar antes dos 60.

Aos 59 anos, faça uma revisão completa.

Avalie a rede.

Avalie o preço.

Avalie o contrato.

Avalie os hospitais.

Avalie as oportunidades.

E conheça as regras comerciais dos produtos que poderiam fazer sentido para você.

Depois dos 60, continue revisando. Aos 64, não deixe para amanhã.

Não porque exista uma porta que se fecha automaticamente depois dessa idade, mas porque o mercado pode oferecer menos alternativas comerciais à medida que a idade avança.

E quando falamos de saúde, eu prefiro trabalhar com possibilidades do que com urgências. No fim das contas, talvez a pergunta não seja:

“Quando devo trocar meu plano de saúde?”

Talvez seja:

“Até quando eu quero continuar tendo liberdade para escolher?”

E essa resposta começa muito antes da terceira idade. Começa quando você percebe que cuidar do futuro também é uma forma de cuidar de si.

Entre em contato: @pati.ledesma

plano de saúde
Patrícia Ledesma, especialista em planos de saúde

Siga: @suaredeutilita

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