Especialista explica por que alimentação, sono, estresse, doenças crônicas e hábitos de vida precisam ser considerados no diagnóstico e tratamento odontológico
A odontologia vive uma mudança de paradigma. Cada vez mais, o diagnóstico e o tratamento das doenças bucais deixam de se concentrar apenas nos dentes e passam a considerar o paciente de forma integral. Essa abordagem, conhecida como visão multifatorial, reconhece que a saúde bucal é influenciada por uma combinação de fatores biológicos, comportamentais, ambientais e sistêmicos.
A relevância desse olhar é reforçada por dados da Organização Mundial da Saúde (OMS). Segundo a entidade, 3,5 bilhões de pessoas convivem com doenças bucais, tornando essas condições um dos problemas de saúde mais prevalentes do mundo. A OMS também destaca que essas doenças compartilham fatores de risco com enfermidades crônicas, como diabetes, doenças cardiovasculares, câncer e doenças respiratórias, entre eles, alimentação inadequada, consumo excessivo de açúcar, tabagismo e uso nocivo de álcool.
Para a cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos, diretora do Centro de Reabilitação Rabello (CORR), no Rio de Janeiro, esse cenário exige que a odontologia vá além do tratamento dos sintomas. “A visão multifatorial parte do princípio de que dificilmente uma doença bucal tem uma única causa. Ela resulta da interação entre diversos fatores, como hábitos alimentares, qualidade do sono, estresse, alterações hormonais, doenças sistêmicas, uso de medicamentos, predisposição genética e rotina de higiene. Quando identificamos esse conjunto de fatores, conseguimos desenvolver um tratamento mais preciso, individualizado e duradouro”, afirma.
A especialista explica que esse conceito está presente em diferentes especialidades odontológicas. Casos de bruxismo, por exemplo, podem estar relacionados ao estresse, à ansiedade e aos distúrbios do sono. Já as doenças periodontais apresentam estreita relação com o diabetes, condição que, segundo a OMS, mantém uma relação bidirecional com a saúde gengival: o diabetes aumenta o risco de periodontite e a inflamação periodontal dificulta o controle da glicemia.
Além disso, a recorrência de cáries pode estar associada à alimentação rica em açúcares, à redução do fluxo salivar provocada por medicamentos, a alterações da microbiota oral e a hábitos inadequados de higiene, demonstrando que o sucesso do tratamento depende da compreensão do contexto de cada paciente.
“A odontologia moderna entende que a boca faz parte do organismo. Por isso, a visão multifatorial não trata apenas dentes ou gengivas, mas busca compreender todas as condições que influenciam a saúde do paciente”, ressalta a especialista. Esse olhar integrado melhora o diagnóstico, fortalece a prevenção e aumenta a previsibilidade dos resultados.

Localizada há mais de 30 anos na Tijuca, no Rio de Janeiro, a clínica Centro de Reabilitação Rabello (CORR) é dirigida pela cirurgiã-dentista Flávia Rabello de Mattos e se destaca por oferecer uma abordagem integrada e personalizada em reabilitação oral. Flávia Rabello de Mattos é a primeira doutora em Implantodontia do estado do Rio de Janeiro, pós-doutorada em Engenharia dos Materiais pelo IME-RJ, além de mestre e doutora em Odontologia.
Site: draflaviarabellodemattos.com.br
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